Todas as palavras que consegui escrever;

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O timbre da meia noite.


Uma noite escura e fria, o silêncio varria o lugar como folhas secas levadas facilmente pelo vento. Nem ele nem eu, nos atrevíamos à quebra o desprezado e indesejado silêncio. Eu queria poder virar a ele e dizer tudo o que tenho vontade, porque só com ele, eu consigo ser quem eu quero ser. Mas a coragem não me aparecia em mente. Tentar, eu tentaria; mas conseguir, era o mais difícil.
O silêncio me torturava por dentro, a vontade de poder te tocar, ou dizer algo que quebrasse o silêncio, era tão grande, quanto o universo – Eu, e minhas comparações tolas. -.

O relógio logo iria soar meia-noite e nenhuma atitude fora tomada. Uma conversa sem palavras, um contato sem toque, duas pessoas; um amor e um grande vazio.

Tic toc, tic toc tic toc. Era tudo o que eu podia escutar em minha mente, tirando os pensamentos abrangentes que me soavam á cabeça. Era deprimente ver como eu me esforcei tanto para isso, só de pensar no tempo em que eu passei imaginando estar a sós com ele, mais o tempo que eu demorei até tomar coragem. Era tão patético, mas para mim era algo especial; que no momento, estava sendo estragado por um mero e mortal silêncio.
O relógio contava o tempo em silêncio, uma tortura para mim.  Já não sei para ele, eu não sabia o que ele pensava e isso me deixava nervosa.
— Está ficando tarde, acho melhor eu ir. — Eu disse já me levantando.
— Não, fica. — Disse ele segurando o meu braço. — Eu estou aqui e você também, porque não fazemos disso uma vantagem? — Perguntou ele me olhando.
— Claro... — Eu disse entre um sorriso.

Eu tive que esperar o timbre da meia noite, para que alguma iniciativa fosse tomada. Não posso reclamar se fosse por mim de tão tímida que sou a iniciativa nunca seria tomada. O frio por dentro me consumia e por fora o calor de seu abraço me aquecia. Eu parecia ter borboletas no meu estômago, me sentia bem e ao mesmo tempo nervosa, não sei ser era pelo frio timbre da meia noite ou se era por ele e pelo jeito que ele me abraçava que me fazia sentir bem e mal ao mesmo tempo.

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